Uma noite na cracolândia de SP

by Jaqueline Costa
 jornalista-Izilda Alves

jornalista-Izilda Alves

Ela descreve este inferno autorizado pela Prefeitura em São Paulo, passando por cima de todas as leis em vigor que proíbem drogas no país .
O adolescente de 15 anos tem apenas 1m50 e é tão magro que roupas sobram no seu pequeno corpo. O chinelo de dedo mostra pés machucados e encardidos. O olhar revela desconfiança . No rosto do menino não tem sorriso e na boca são poucos os dentes. Nas mãos, a bagagem de sua vida: pedras de crack e o cachimbo para fumar sua droga. Este garoto , de apenas 15 anos, fica durante toda a noite e madrugada na cracolândia, mantida pela Prefeitura de São Paulo na alameda Dino Bueno, na região da Luz, centro da cidade. De manhã, dorme pelas ruas da cidade.
Como ele, há outros adolescentes nesta cracolândia, definida como a maior do Brasil porque chega a reunir ,à noite , quase dois mil dependentes. Esta cracolândia é protegida 24 horas pela polícia municipal e estadual por determinação da Prefeitura de São Paulo. São dezenas de policiais em carros e até em vans durante 24 horas guardando as entradas.

São nove da noite de segunda-feira .Sinto medo e revolta nesta região do centro de São Paulo, onde só vale a lei do tráfico. Estou acompanhada do fotógrafo Carlos Torres e de sua esposa Janina Torres. Nossa missão era conseguir fotografar, de perto, menor fumando crack para o livro que estou escrevendo com o fundador do Grupo Jovem Pan, Antonio Augusto Amaral de Carvalho,o Tuta, sobre a campanha que ele criou em 2002, Jovem Pan Pela Vida, Contra as Drogas, que eu coordenei e apresentei por 12 anos nas escolas de São Paulo.
Estamos numa região da cidade de São Paulo dominada pelos traficantes, onde não existe Estatuto da Criança e do Adolescente nem a lei antidrogas 11.343/2006, em vigor em todo o país, que proíbe consumo, porte, transporte e venda de qualquer tipo de droga no Brasil. Na cracolândia da Dino Bueno, o que vemos são pessoas de todas as idades e classes sociais fumando crack em plena rua protegida pela Prefeitura de São Paulo e onde a polícia está proibida de agir.
Cracolândia que tem droga exposta em pratos colocados sobre caixotes. Lá estão pratos com maconha, cocaína e pedras de crack. A venda é feita por mulheres, que não usam drogas. Tem tanta gente usando droga que não dá nem para ver o chão. As luzes são fortes e amarelas.
“Tem dez aí?”,é a frase que mais se ouve. Dez significam o valor cobrado por pedra grande de crack na Dino Bueno. Tem também adolescentes que quebram a pedra de crack de dez reais e vendem pedaços por R1,00, R$2,00 para pessoas que estão se iniciando no vício.
Grávidas fumando crack ficam jogadas pelo chão . Segundo policiais, “muitas têm o bebê na rua mesmo e essas crianças são levadas pelas assistentes sociais da Prefeitura para serviços de adoção. As mães continuam na cracolândia fumando crack”.
Jovens que não usam drogas exibem rádios e celulares sem risco de serem roubados. “São os disciplina do tráfico”, fomos alertados por policiais quando tentávamos entrar na cracolândia da Dino Bueno . “Vocês serão roubados, vão apanhar e serem levados para interrogatório para revelarem quem são vocês e o que vocês querem. É muito arriscado entrar.”
Amanhã, vou descrever os perigos que enfrentamos para conseguirmos as fotos e o desespero dos moradores da cracolândia da Dino Bueno,região central de São Paulo , que estão sendo expulsos pelos traficantes.

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6 comments

Marta Ferreira da Silva Marcondes 27 de outubro de 2015 - 08:39

Fico decepcionada com tudo isso, somente em Deus poderemos nos amparar, mas temos que fazer alguma coisa para salvar estas vidas.

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irene cruz meneghini 7 de janeiro de 2016 - 17:54

infelizmente isso realmente é uma doença e o governo ainda não admitiu isso é um caso de saúde pública. Quando passo na cracolandia vejo os nossos jovens andando de um lado para outro com trapos sujos cobrindo seus corpos parecem zumbis andando de um lado para outro sem rumo sem expectativa de vida nenhuma seu pensamento é só a droga são nossos jovens jogados pelas esquinas das cidades o futuro de nosso país não sei o que vai ser do futuro porque mesmo quem não usa droga esta sendo ameaçado por ela, está sendo morta por ela em cada esquina . As pessoas precisam parar de julgar os dependentes como bandidos porque são doentes e todos nós temos responsabilidade sobre isso não somos pessoas isoladas e que se danem os drogados, vivemos no mesmo ambiente, também somos reféns das drogas usando ou não, precisamos nos movimentar para tentar achar uma saída senão não sei o que será do futuro das novas gerações que estão começando a usar cada vez mais cedo infelizmente.

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Thais 23 de janeiro de 2016 - 21:38

Devemos isso ao nosso excelentíssimo prefeito Fernando Haddad, esse verme que foi eleito…Não podia ser nada menos que filiado aos LIXOS DO PT…Que além de tentarem destruir nossa Linda São Paulo estou conseguindo acabar com nosso Brasil!!! É lamentável confiarmos em pessoas, colocarmos no poder e vermos eles se venderem… Cadê as leis??? Só servem para multar carros quando um trabalhador passa do horário de rodízio??? Ou quando estamos atrasados para pegar o filho na escola que andamos a 62 km por hora….Infelizmente perderam se os valores e princípios morais….FORA HADDAD VC E SEUS LIXOS PT.

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Débora 12 de fevereiro de 2016 - 23:40

Realmente essas pessoas são vista pelos olhos da sociedade uns lixo mas não é bem assim eles estão doentes e precisam de ajuda mais nada

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Marcelo Santos 22 de junho de 2016 - 23:20

Eu fumava um baseadinho e fui internado convivi com outros do crack mais lá dentro não é realidade da cracolandia então estava amparado tive oportunidade de usar crack bebi pinga com limão agora sei o risco que corri hoje faz 8 anos limpo à base de remédios espero que Jesus o novo messias e Deus salve vidas internação não é ruim o problema é o trauma de ser involuntário causa

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Ronaldo Risseto 4 de julho de 2016 - 13:03

PARABENS

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