NOSSO TEMPO É LIMITADO

by Thiago Biancheti

Todo ser humano vive um número total limitado a algumas dezenas de milhares de dias. A utopia da imortalidade não está ao nosso alcance: um artigo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”, nos Estados Unidos, em outubro último, demonstra matematicamente que é impossível vencer o envelhecimento.

Se nosso tempo é limitado, então tudo que podemos conquistar e gastar ao longo da vida também será necessariamente limitado.

Assim, qualquer comportamento compulsivo é uma tentativa de negar esse fato, independentemente do alvo da compulsão. Ela pode ser focada, por exemplo, no uso de uma substância psicoativa, em outros tipos de comportamentos inadequados (ex.: jogo, sexo, internet) ou no controle do comportamento de outra pessoa. Em todos os casos, o comportamento repetitivo e compulsivo termina por gerar prejuízos significativos na vida do indivíduo compulsivo. É por isso que a grande maioria das compulsões é classificada como “doença” pela medicina moderna. Em um mundo onde há cada vez mais opções de uso indevido de invenções de todo tipo, a lista de doenças apenas cresce. Cada nova edição dos manuais de classificação de doenças usados pelos médicos é maior que as anteriores.

O princípio nos lembra de que, em qualquer situação, todos os recursos a nossa disposição (além do próprio tempo, os recursos físicos, emocionais, intelectuais e econômicos) são esgotáveis. Quando agimos como se eles fossem infinitos, praticamos um comportamento disfuncional, seja como adicto consumindo substâncias de forma descontrolada, seja como um codependente que se sente obrigado a gastar todo seu dinheiro e até se endividar para ‘salvar’ seu familiar adicto.

É por isso que precisamos estabelecer limites no uso dos recursos. Esses limites são imperiosos quando já há um comportamento compulsivo instalado, mas também são extremamente úteis na prevenção do surgimento de compulsões. Quando aplicamos este princípio na prática, estabelecemos limites justos e coerentes para todos os recursos de que dispomos. Não se trata apenas de resguardar os recursos limitados, mas transmitir aos outros que seus direitos acabam onde começam os direitos dos demais. A aplicação desse princípio exige que desenvolvamos espírito crítico (por exemplo, para discernir entre necessidades e desejos), que façamos escolhas saudáveis de forma a garantir dignidade e qualidade de vida a todos os membros de nossas famílias.

Cada tipo de grupo do Amor-Exigente (incluindo “Família”, “Sobriedade”, “Amor-Exigentinho”, “Prevenção” e “Sempre É Tempo”) permite aprender a aplicar esse princípio básico (e os onze outros) no contexto específico do momento atual de vida de seus participantes. Essa aprendizagem só frutifica pela transformação do nosso comportamento. Modificar hábitos e comportamentos é um desafio significativo para a grande maioria das pessoas. Por isso, para que possamos nos tornar pessoas “cada vez melhores”, é necessário perseverar por longo tempo nos grupos.

Ao mesmo tempo, como nenhum ser humano pode atingir a perfeição, a transformação para melhor nunca acaba (enquanto estivermos vivos!).

Por Roberto C. Mayer, Coordenador da Regional Paulistana Centro, São Paulo/SP – edição n° 222 da REVISTAE – Março/2018.

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5 comments

Juliana 15 de março de 2019 - 16:29

Oi meu nome é Juliana gostaria muito de participar do grupo amor exigente ,gosto muito das palestras e de como eles tratam as pessoas com amor e carinho .

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Thiago Biancheti 15 de março de 2019 - 17:53

Vem fazer parte!!! Procure o grupo mais próximo de você no menu LocalizAE.

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Geysa Maracy Lellis Pacheco. 21 de abril de 2019 - 18:11

Oi , meu nome é Geysa , sou de Niterói e gostaria de participar do grupo Amor Exigente.Peço que me envie o endereço

endereço.

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Thiago Biancheti 22 de abril de 2019 - 12:52

Ficamos muito felizes com a sua ação. É preciso saber qual o grupo mais próximo de você. Para isso, clique em LocalizAE no menu superior. Então, basta entrar em contato com o coordenador do grupo para mais informações.

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João Fernandes 4 de abril de 2021 - 13:58

Boa tarde!!! Meu nome é João Fernandes de linda.. Eu não acredito no amor Do ser humano

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