Amor-Exigentinho

1 – Apresentação


1.1 – O que é:

O Amor-Exigentinho, como subgrupo do Amor-Exigente, propõe-se a promover a prevenção ao uso de drogas, com crianças e adolescentes, por meio de ações educativas, com base na informação, na arte, no lúdico e na literatura infantil, incentivando-os a um trabalho de construção da autonomia e de escolhas saudáveis.

A proposta do Amor-Exigentinho pode ser trabalhada com crianças e adolescentes que:

– Acompanham os familiares, nos grupos de apoio, tanto nos grupos de prevenção, como nos permanentes;

– São envolvidos por programas sociais, que visam diminuir situações de risco;

– São alvo de cuidados de empresas que exercem a Responsabilidade Social;

– São encaminhados, por comportamentos inadequados, pelo Conselho Tutelar, Promotoria e Juizado da Vara da Infância.

Essa abordagem é uma ação preventiva que promove valores morais e éticos para uma melhor qualidade de vida, motivando nossas crianças e adolescentes a se distanciarem de tudo o que os torna vulneráveis à violência, ao crime, às drogas e à corrupção em todas as suas formas.


1.2 – Objetivo, Conteúdo e Metodologia

Objetivo: Promover a prevenção a comportamentos inadequados e ao uso de drogas, por meio de ações formativas que cultivam valores fundamentais e que cooperam para o crescimento do ser humano, tais como disciplina, honestidade, solidariedade e cooperação.

Conteúdo: Os doze Princípios Básicos, os doze Princípios Éticos, a Espiritualidade Pluralista e a Responsabilidade Social, pilares que sustentam a proposta do Amor-Exigente.

Metodologia: Cada cidade que trabalha o AE vive uma realidade. As equipes são formadas conforme as necessidades e aptidão de cada voluntário. No Amor-Exigentinho não é diferente. Tem equipe de “um” voluntário ou de muitos. Temos salas com atendimento a várias faixas etárias juntas e salas com atendimentos por idade. Abaixo estabeleceremos o passo a passo para implantar o Amor-Exigentinho; procure, mesmo que sozinho,  executar o que der, mas sempre tendo como alvo ampliar a sua equipe e melhorar os trabalhos.

    1. O programa deve ser aplicado, sistematicamente, em reuniões Deve atender, em primeira instância, as necessidades detectadas do grupo, obedecendo à faixa etária. No caso de crianças de 4 a 8 anos, não é necessário seguir a sequência dos Princípios, já que alguns deles se aplicam mais à concretude das ações, próprias a essa faixa etária, como os princípios 3º, 4º, 10º e 11º, por exemplo. Com crianças e adolescentes de 9 a 17anos, seguir a ordem normal da sequência dos princípios, se possível.
    2. Os princípios 2º e 3º podem ser abordados juntos, assim como os 4º e 6º, os 7º e 8º e os 9º e 10º.
    3. O número de participantes de cada turma não deverá ultrapassar 12 crianças, para favorecer um convívio harmonioso, participativo, de mútuo conhecimento e bom acompanhamento por parte do aplicador do programa, que acolherá as crianças com amorosidade e sem julgamento.
    4. Os encontros serão semanais, com uma ou duas horas de duração,em que haverá as atividades referentes ao princípio a ser trabalhado, as partilhas e as metas individuais de mudanças de comportamento, refletidos nas partilhas. Eventualmente, poderão ser realizadas metas do grupo, desde que ele tenha decidido por elas, com a orientação do aplicador, que sempre deverá estar atento às metas propostas, individual ou coletivamente, cumpridas na semana anterior. O sigilo deverá ser lembrado sempre.
    5. As atividades serão desenvolvidas com crianças na faixa etária de 4 a 17 anos. Distribuir as crianças e adolescentes em salas conforme as faixas etárias, se possível, assim:
      • De 4 a 6 anos
      • De 7 a 9 anos
      • De 10 a 13 anos
      • De 14 a 17 anos

 

2 – Estrutura 

2.1- Voluntários e/ou pessoal envolvido

 

Da Coordenação: (composta de 3 a 5 membros)

Atribuições: 

  1. Promover a capacitação dos voluntários.
  2. Assessorar e buscar apoio técnico para os voluntários, visando subsidiar o desenvolvimento das atividades nos encontros com as crianças e adolescentes. Promover palestras com psicólogo para receber orientação sobre o desenvolvimento da criança e adolescente e para receber orientação de como proceder no momento da partilha dos sentimentos. Buscar parceria com outros profissionais como pedagogos, contadores de história, psicopedagogos, etc;
  3. Realizar reuniões da equipe de coordenação para planejamento e avaliação;
  4. Acompanhar o planejamento dos encontros, considerando cada faixa etária, discutindo as atividades com todos do grupo (todos devem saber o que a outra sala está trabalhando);
  5. Verificar dúvidas sobre o princípio a ser trabalhado (alertar para as abordagens e verdades “prontas”, tais como as de composição familiar, religiosas, preconceitos de sexo, religião, raça e cor, etc.)
  6. Estimular os voluntários e valorizar sua participação.
  7. Favorecer o entrosamento da equipe com demais voluntários.
  8. Oportunizar atividades em que os voluntários se sintam envolvidos e estimulados a compartilhar ideias e ações. Usar situações concretas de cooperação, solidariedade e companheirismo.
  9. Convidar os pais para uma palestra/conversa, se eles não participarem de reuniões de grupos. Se já pertencerem aos grupos de apoio do AE, não é necessário. Mas os recados, elogiando os filhos, são sempre bem-vindos, sem “dar conselhos aos pais” ou falar das dificuldades dos filhos colocadas nas partilhas.
  10. Convidar os pais que não participam das reuniões dos grupos permanentes e cujos filhos participam do Amor-Exigentinho, para assistirem a uma palestra por mês ou a cada 15 dias, sobre “Os pais também são gente”, ”Pais e filhos não são iguais”, “Exigência e Disciplina”, “Amor”, entre outras. Podem também chamar um(a) psicólogo(a) que lhes falará sobre como o ambiente violento e tenso do lar pode influenciar no emocional da criança e no seu rendimento escolar, além de outros temas relativos à funcionalidade familiar.
  11. Disponibilizar espaço arejado, amplo, com material para contação de histórias, livros, papéis, brinquedos, mesas, cadeiras, com espaço para relaxamentos, para o silenciamento interno e externo, para deixar a criança concentrada e atenciosa.
  12. Captar recursos.
  13. Realizar inscrição das crianças e adolescentes.
  14. Manter a Coordenação Regional do Amor-Exigente informada sobre acontecimentos e realização de atividades.
  15. Garantir as combinações de contrato de parceria quando houver.
  16. Manter fichário organizado.
  17. Elaborar relatórios das atividades desenvolvidas ao longo do ano e enviá-los a Coordenação do Regional do Amor-Exigente.
  18. Produzir material para os encontros com as crianças e adolescentes e para divulgação do Programa.

Dos Voluntários:

Perfil:

  1. Conhecer a metodologia do AE por meio de reuniões, cursos e de leitura/estudo dos diversos materiais sobre o AE e sua proposta.
  2. Gostar de crianças e entender o seu universo.
  3. Aprofundar o estudo do Programa do Amor-Exigente. Estar disponível para os cursos e palestras de formação.
  4. Disponibilizar de tempo para planejar as atividades e participar das reuniões.
  5. Viver e acreditar no programa, aplicando-o em sua vida;
  1. Saber trabalhar em Equipe;
  2. Ter atitude e postura positivas.
  3. Estabelecer clima e ambiente favoráveis ao trabalho com a proposta.
  4. Trabalhar, de modo a desenvolver habilidades de reflexão e ação nos participantes.
  5. Usar estratégias desafiantes, que promovam o desenvolvimento da autonomia dos participantes.
  6. Acompanhar as atividades e orientações da Federação do Amor-Exigente – FEAE (http://www.amorexigente.org.br )
  7. Assinar o Termo de Voluntário da Associação ou Grupo do AE

2.2 – O espaço dos encontros

O espaço físico deve ser adequado, com decoração e organização, que possibilite sensação de bem estar, um lugar acolhedor e prazeroso, com material específico para motivação das crianças e adolescentes.

O encontro semanal do Amor-Exigentinho deverá ser motivo de alegria e satisfação para as crianças e não deve assemelhar-se aos espaços e clima de escola, com aulas formais. Ele deverá ser um evento, um acontecimento, com dinâmicas interessantes, que levem à reflexão e à proposta de mudanças de cada um em seu comportamento.
 

3 – Implantação do programa

O programa poderá ser implantado em qualquer momento e em qualquer espaço, desde que obedeça às orientações já elencadas acima.

3.1 – Capacitação dos voluntários e/ou do pessoal envolvido

Todos os voluntários que irão trabalhar com o Amor-Exigentinho DEVERÃO passar por capacitação, numa série de encontros de reflexão e vivência previstos no curso EDUCAE (15 encontros), com material próprio, adquirido na FEAE ou 1 ano de vivência em grupos permanente.

Os voluntários que trabalharão com o Amor-Exigentinho serão selecionados ou por uma triagem, por demonstração de interesse ou por convites pessoais.

3.1.2 – Formação Continuada dos aplicadores do Programa do Amor-Exigentinho 

Além do estudo e conhecimento da metodologia e filosofia do AE, aprofundamento por meio dos livros da bibliografia do AE (ver no final), a coordenação deverá providenciar para os voluntários, palestras e cursos necessários ao entorno do trabalho e aprofundamento do conhecimento da proposta, tais como:

– Como estimular a Espiritualidade na criança

– Contação de História – Explorar a fundamentação teórica e a importância da contação de história na vida da criança, estratégias e dinâmicas, seleção de livros para cada Principio Básico e Ético (com profissional da área).

  • Como trabalhar a reciclagem na produção de material para os encontros
  • Desenvolvimento da criança e seu processamento do mundo (com profissional da área)
  • Assertividade
  • Codependência
  • As múltiplas inteligências
  • Oficinas para produção de material didático para os encontros (com profissionais da área)

ATENÇÃO: Em breve, a Equipe Nacional da Prevenção publicará um material com sugestões de várias atividades referentes a cada princípio e a cada faixa etária.

A coordenação deverá também realizar encontros mensais ou bimestrais para

  • avaliar os resultados e realinhar possíveis inadequações
  • organizar e planejar o calendário do mês/bimestre seguinte, inclusive com as datas das palestras para os pais.

 

4 – Aplicação do programa com o público alvo

4.1. Preparação do material

Planejamento dos encontros – Objetivos e estratégias (ver atividades abaixo e o Material de Apoio para o Aplicador);

4.2. Encontros semanais

Encontros semanais com duração de duas horas com as crianças, adolescentes e jovens, separados por faixas etárias. O ambiente deverá ser agradável e o encontro deverá ser um momento bom, nada parecido com as aulas escolares.

As partilhas e as metas deverão acontecer num ambiente respeitoso e de não julgamentos. A aceitação das diferenças e da diversidade deverá ser a tônica em todos os encontros.

Atividades

  1. Brincadeiras e jogos que estimulam o lazer construtivo.
  2. Brincadeiras para socialização da criança bem como aprender a ter limites;
  3. Atividades que envolvam o repartir, a solidariedade, o pensar no outro, na coletividade, no cuidar-se, no cuidar do outro, no cuidado com o meio ambiente, valores éticos, construção da paz, justiça, respeito, leis de trânsito, sexualidade, drogas, saúde, etc.
  4. Despertar o gosto pela leitura através da literatura indicada para cada Princípio.
  5. Desenvolvimento das potencialidades criativas através das diversas artes, estimulando a fantasia da criança.
  6. Atividades que propiciem o criar laços de apoio e de cooperação entre si e também incentivem o conhecimento das regras de uma convivência harmônica na família, no grupo, e na escola.
  7. Estimular o exercício consciente da cidadania conhecendo seus deveres e direitos.
  8. Atividades para cada princípio: atividades lúdicas, contação das histórias com criatividade, envolvendo as diversas artes para tornar o encontro alegre e atraente.
  9. Espiritualidade – um dos pilares do Amor-Exigente. “A criança deve se elevar até a ordem mais elevada do espírito, por meio de coisas concretas” (Maria Montessori). Usar coisas concretas: trazer para o encontro elementos da natureza como uma flor, terra, uma planta – usar figuras que demonstrem a falta e respeito (rios poluídos – poluição do ar, poluição sonora, visual, etc) figuras, quadros de pintura de artistas famosos ou gestos que demonstrem solidariedade, respeito a pessoas e à natureza, humildade, gratidão, união, confraternização, alegria, crença no Poder Superior, contemplação do Belo, civilidade moral e ética. – Incentivo a cultivar o Respeito ao ser humano e à natureza. Usar música, historinhas, relaxamento.

 

5 – Avaliação

A avaliação do processo de assimilação de novos comportamentos e conceitos deverá ser contínua, no acompanhamento de cada criança e de sua família.

Levantamento e registro dos resultados comprovados de mudança e de otimização de comportamentos (relatos de pais, verificação nos encontros, etc). Cada criança terá um registro feito pelo aplicador, para anotar, se preciso, situações que mereçam atenção para discussão com a coordenação, que acionará os profissionais, se necessário. Há um modelo de entrevista inicial com a família/cuidadores da criança/adolescente, fornecido pela coordenação do Amor-Exigentinho.
 

6 – Parcerias

Na nossa atuação junto a crianças e adolescentes, muitas vezes necessitamos de um embasamento teórico ou de uma orientação mais específica para o trabalho com as crianças/adolescentes. Portanto, a sugestão é buscar, junto às Universidades, essa orientação com os profissionais das áreas de psicologia, médica, pedagogia, psicopedagogia, etc.
 

7 – Bibliografia básica

MENEZES, Mara Silva Carvalho de. O que é Amor-Exigente 5ª ed. São Paulo.Ed. Loyola

MENEZES, Mara Silva Carvalho de. Prevenção com Amor-Exigente São Paulo.Ed. Loyola

BRIGAGÃO, Neube José. Mostrar Caminhos. Ed. Loyola

DRUMMOND, Marina Canal Caetano. Amor Exigente Espiritualidade uma Nova Vida. São Paulo. Ed. Loyola

FEAE, Apostila “AMOR-EXIGENTE” – MATERIAL DE APOIO PARA O CURSO EDUCAE (15 Encontros).

Programa de Qualidade de Vida  com Amor-Exigente (PQVAE) – Material de apoio para o aplicador

JENKINS, Dra. Peggy Joy. Estimulando a espiritualidade nas crianças. Atividades práticas para cultivar a autoestima, o amor e a fé nas crianças. São Paulo. Ed. Pensamento, 2010

VILAS-BOAS, Magda. Relaxamento com crianças. São Paulo. Ed. Loyola, 2005

 

OBSERVAÇÃO FINAL 

A Equipe Nacional e Internacional de Prevenção e o Grupo de Apoio do Amor-Exigentinho deverão ser comunicados da implantação dos grupos, com o preenchimento dos dados no cadastro que estará mo site da FEAE.

A implantação do grupo de Amor-Exigentinho em uma cidade deverá receber o apoio dos voluntários do Grupo Permanente do Amor-Exigente já existente naquele município ou região, para a realização do curso de capacitação. Caso não haja grupo de Amor-Exigente na cidade, entrar em contato com a FEAE, que orientará para o procedimento.